Na carona do destino

O “click” da chave girando, e o som do motor pulsando em um ronco baixo. O couro que reveste o volante inteiramente suado pela minha mão cansada. Me olho no retrovisor e ajeito o rayban e meus cabelos. O calor insuportavel desta época do ano castigando a lataria de todos os carros ali estacionados, e a cabeça dos menos previnidos. E este seria o meu caso, pois o cansaço me impediu de esticar o braço para o banco traseiro afim de alcançar meu surrado chapéu de vaqueiro.
Eu estava deixando a cidade para trás; deixando tudo que havia ali para trás. Juntando todas minhas tralhas no porta-malas do meu velho MavecãoV8, e seguindo uma estrada sem destino. Uma única parada obrigatória se fazia necessária, e era justamente onde eu me encontrava neste momento.

Eu simplesmente não posso mais suportar minha existência sem um rumo certo nesta cidade. Então antes sem rumo na estrada do que preso na mesmice do cotidiano de uma cidade cheia de frustrados.
Mas também não consigo deixar de amar esta mulher! Foi a única a quem me entreguei completamente em toda minha curta existência por aqui. Devo a ela, e a mim mesmo, uma satisfação e um convite.
Ali parado na porta me senti em transe, me imaginando ao volante, tendo ao lado a única pessoa em quem confio e amo plenamente; ganhando a estrada sob as rodas, e o azul do céu sobre o capô.
O suor corria pelas têmporas quando a abracei. E o abraço por apenas um instante, o qual me pareceu uma vida e mais, me fez querer ficar ali, protegido na certeza de um amor.
Dei as costas e enquanto ela voltava para o conforto do seu teto eu jurei não olhar para trás, levando comigo todo aquele amor e a saudade que já me apertava o peito. Me senti arrasado com a premonição de uma culpa que não tardaria a chegar, ainda sentindo o perfume daqueles seios em minhas mãos.

Voltando ao velho Maverick, bato os olhos na capa daquele livro velho atirado no banco traseiro, com o chapéu meio por cima. “Been down so long It looks like up to me”, de autoria de Richard Farina. Ganhei este livro de um amigo antes de partir. Só fico imaginando pelo título se este é o tipo de livro que vai me dar algum conforto nas noites frias de solidão que estão por vir.
O sol a meio, me lembrando que é hora de abastecer o meu motor, bem como o do carro. E então resolvo entrar em uma pequena lanchonete no centro antes de deixar a cidade. E não é de surpreender que o que eu levo no bolso não cubra sequer a refeição em um pequeno estabelecimento como aquele. Então acabo comendo apenas um misto quente. A metade de um, para ser mais exato. A viagem não tem destino, mas a fome tem, e sempre volta no mesmo horário.

Deixando a cidade para trás tudo o que consigo avistar é o verde flamejante ao lado, negro e amarelo deslizando ao centro, e o lento azul do firmamento. Nada como um acidente aqui e ali para te lembrar que é sempre bom manter os olhos na estrada, e a cabeça longe da “pequena”. O toca-fitas empoeirado me ajuda a manter a cabeça afastada da saudade. porem dados momentos apenas aperta mais o peito. Como quando o som familiar de Crystal ship, dos Doors chega para me dar a certeza de ainda manter uma parte de mim no passado. Mas ali sentado com a mão direita no volante, e a esquerda  atirada pra fora da janela, dedilhando o teto do carro e sentindo o vento nos cabelos e o roncar do carburador, tragando a fumaça do Lucky Strike, fico imaginando se não é melhor assim mesmo. Apenas  a estrada e eu.

E foi em uma destas noites quentes na estrada que avistei aquela enorme cidade faiscando luzes multicolores por toda parte, com suas prostitutas andando pra cima e pra baixo, bares lotados de pessoas relaxando após um àrduo dia de trabalho, casas de azar esbanjando a insatisfação dos fracassados, e bebados nas sarjetas com cães lhes lambendo a face.
Encantado em meio a tudo aquilo acabo me alojando ali por uns três ou quatro dias, dormindo no carro quando o sono clama por silêncio e escuridão. E nestes dias levantei alguma grana por meios escusos, e por meio destes bicos acabei conhecendo um outro tipo de viagem.
Era L’America, o maior antro de perdição daquela cidade.

Ali eu não recebia apenas grana como pagamento, como você bem deve imaginar. Boa parte eu vendia, mas mesmo assim sobrava algum pra consumo próprio.
Os efeitos variam de pessoa para pessoa, já que a principal característica é a potencialização da personalidade do individuo. E bem, o que acontecia comigo era uma enorme euforia.  Realmente muito estranho, devo dizer, já que sou um ser completamente introspectivo. O mundo a minha volta se tornava tão lento, e eu, tão rápido. Dançava feito um raio, com a música chegando aos meus ouvidos de maneira abençoada. Músicas que eu jamais havia escutado em minha vida, se tornavam previsíveis, uma nota chegava aos meus ouvidos, e eu já sabia que nota viria logo após.
Nestas horas eu bebia qualquer coisa que colocassem em minhas mãos, mas era por água que eu clamava.

Na alvorada acordei ainda cambaleante e com os dentes serrados. Atirado no chão, ao lado da minha cama de molas estava um sujeito que eu conheci naqueles dias insanos. Um novo amigo talvez. Levantei e fui jogar uma água no rosto, peguei minha camisa e saí do hotel em que eu havia passado as duas últimas noites.
E foi sorvendo um pouco de café preto que decidi deixar aquela cidade logo em seguida. Então voltei ao hotel para juntar os trapos, e o sujeito já estava de pé. Lhe disse que estava partindo, e me senti surpreso quando ele me pediu uma carona, dizendo que desejava largar aquela vida de loucuras na cidade e se perder daquela sociedade adoecida. Eu concordei, contanto que ele dividisse as despesas com a gasolina. Afinal um pouco de companhia na estrada não seria de todo mal.

Fiz os últimos acertos e preparei provisões para um curso sem previsão de paradas por kilometros sem fim. E então partimos com o sol do meio dia queimando o negro da lataria após uma gorda refeição a base de bacon e ovos. Tudo ia bem nos dois últimos dias de viagem, até que em uma noite, acampados abaixo de um platano, meu companheiro de viagem me mostra um punhado daquelas pastilhas bastante familiares. “Sobraram algumas”, ele me disse. “Não vai fazer mal algum tomar uma nesta noite abafada”. E enfim tomamos uma cada um, empurrando goela abaixo com um gole de whisky barato.
Os sonhos começaram a surgir com o céu estrelado girando sobre minha cabeça. Era a minha “pequena” se esfregando em mim? Não podia ser verdade! Mas era o que meus olhos me mostravam, muito embora meu cérebro se negasse a aceitar como verdade. No meio do conflito o sonho se tornou pesadelo, e a “pequena” se transformou no meu barbudo e fétido companheiro de viagem. “Seu filho da puta”, eu disse, jogando ele para trás com um soco bem encaixado no maxilar.
Agarrei minhas coisas e atirei tudo no porta-malas. Pisei fundo e deixei aquele sacana, ainda pirando no seu sonho desvairado, naquele lugar completamente desolado.

Com um estranho peso na consciência eu segui adiante, sem rumo. Ainda chapado, perdido em pensamentos e decisões erradas, sem saber o que viria pela frente, quando as indagações começaram a se materializar na minha mente. Será que fiz bem em deixar o cara abandonado no meio do nada? Será que fiz bem em deixar a minha garota para trás? Será que estou desperdiçando minha vida seguindo assim feito um vagabundo?
Foda-se tudo! Pois apenas o peso do meu pé no acelerador tem a resposta certa para me dar. O acelerador pressionando e exigindo uma resposta do motor, e o rádio com suas estranhas ondas reverberando no meu crânio, até que um conhecido blues começou a tocar, falando em uma vida desgarrada sem arrependimentos. E tudo começou a fazer sentido. Nada de arrependimentos! Apenas a estrada à frente!

Nuvens negras e pesadas entrecortadas por relâmpagos começaram a se impor onde a pouco o sol nascente tentava se fimar. Aqueles delírios que me trouxeram a visão da pequena estavam me perturbando um bocado. E acho que foi isso que me levou a aceitar a idéia de retornar e dar uma carona para aquele filho da puta até algum posto de gasolina.

A tempestade teve inicio no momento em que dei meia volta. Deus, como eu amo o cheiro de gotas de chuva evaporando no asfalto quente! Até parecia mesmo que a decisão agora tomada enfim era a correta!
Borrões incolores eram jogados de um lado ao outro no para-brisa, e nada mais importava; apenas a longa e reta estrada a frente, e não o destino!
Avistei o descampado e manobrei para perto de onde havíamos acampado, mas não tinha sequer sinal do camarada. Talvez tenha ido a pé até a estrada e conseguido uma carona de volta para a cidade. Mas assim tão rápido em um lugar tão deserto quanto aquele?
Estava prestes a desistir da busca e retornar ao carro quando o som de passos na lama, confundido com o barulho da chuva batendo no capim chegou aos meus ouvidos. Virei o olhar sobre o ombro esquerdo, mas então já era tarde demais.
Um baque, e eu fui com tudo ao chão, batendo a cara em uma poça. Um sapo coaxava a alguns passos de distância, me olhando diretamente nos olhos, quando o calor do sangue desceu pela minha nuca e nariz.
Recebi aquele calor como se fosse o calor dos seios da minha pequena lá naquela distante cidade a dias perdida para trás. Será que eu devia ter voltado? Será que o sujeito teve culpa, alucinado nos seus pensamentos, assim como eu nos meus?
Sei dizer apenas que não veria mais a garota que fumentava meus pensamentos. Que não pisaria mais no acelerador do Maveco ganhando chão a toda velocidade. E que meu corpo jazia estirado em meio ao verde capim e as folhas do platano pintadas em carmesim. O bico de uma bota tomou o lugar que antes era do sapo que me observava e num instante se dirigia ao carro.

Quem estava certo e quem estava errado?
Cada qual toma uma decisão na vida e nunca se sabe a que ponto este rumo há de nos levar.

Não eramos dono da verdade. E o que importa, é a viagem!

Publicado em: on 9 30UTC 42009vUTC04bThu, 30 Apr 2009 01:01:37 +00002009, 2007 at 22:03 Deixe um comentário

…de uma twittada revoltada.

“Fulana: -por que tu não tem namorada?

Respondo: – Pra não levar guampa!

Pergunta feita por uma guria que quer trair o namorado comigo.”

Espero que agora entendam por que eu não volto a escrever. Por que dou a verdade na lata e não é qualquer um que recebe bem a verdade.

Há pessoas, acredite, há pessoas que preferem viver em seus casulos quentes e fantasiosos e repudiar o ser humano como ele é.

Assim pretendem se mostrar superiores. Seres dotados de um senso de justiça que transcende a pura e carnal forma de pensar inerente a todo ser humano. Querem parecer aos olhos de outrem como seres divinos e de pensamento transcendental. Rebaixando o próximo. Aquele que na verdade assume a sua lepra.

Pois a estes falsos de coração digo: vocês são o créme de la créme da merda e escrotice humana!

AME mais o teu próximo, e deixe de ser um(a) escroto(a) falso(a), porra!

Boa noite.
J.

Publicado em: on 9 29UTC 42009vUTC04bWed, 29 Apr 2009 23:13:22 +00002009, 2007 at 22:03 Deixe um comentário

O retorno, parte 2.

É chegado aquele momento tão aguardado. Ou nem tão aguardado assim, dito que não possuo um séqüito(caiu a trema dessa porra?) de leitores fiéis. Mas há um aqui e outro ali.

Para estes eu prometo manter uma certa frequência com meus escritos. Mas tambem não espere grande coisa. A inspiração anda falhando(falhei exatamente nesta parte. a coisa ta preta.) mais que a voz do Shane Mcgowan depois de um porre homérico.

Publicado em: on at 22:03 Deixe um comentário

The Salton Sea

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A silhueta de um homem sentado ao chão em meio a chamas descontroladas, vestindo um fedora e tocando um triste jazz em seu trompete, relembrando Nero e seu violino enquanto Roma era queimada. Esta é a introdução de “A sombra de um homem(The Salton Sea)”.

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Depois de ver sua esposa ser assassinada sem poder reagir, Tom assume uma identidade falsa, como o viciado Danny, para entrar no submundo afim de descobrir o responsável pelo crime e fazer justiça com as próprias mãos. Como Danny, ele finge ser informante para dois tiras corruptos, Morgan e Garcetti, os quais o forçam a fazer negócio com Urso Pooh(apelidado assim por que cheirou tanto do seu próprio produto que acabou tendo que amputar o nariz),  um violento e renomado traficante.

Para a empreitada ele pede auxilio a seu “amigo” e companheiro de noites de excesso, Jimmy “the Finn”. Este tendo uma relação de quase amor por Danny, faz qualquer coisa para ajudá-lo.  Levando Danny até o alojamento de Pooh, em meio ao deserto, Jimmy espera levantar uma boa grana. Mas só depois de enfrentar situações estressantes diante de Pooh é que eles conseguem fechar um acordo.

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Logo que Morgan e Garcetti armam a emboscada para pegar Pooh, Danny fica sabendo que quem na verdade assassinou sua esposa foram os tiras para quem trabalha. E é neste ponto que ficamos sabendo que Danny é um agente duplo, trabalhando tambem como informante para o FBI.

Aqui é onde Danny tem de enganar a todos, incluindo o FBI, caso queira fazer justiça ao seu modo. O FBI atrás dos tiras corruptos, os tiras atrás de Pooh, e Danny perseguindo sua vingança contra Garcetti, o homem que atirou em sua amada.

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O FBI chega apenas em tempo de ver a chacina cometida pelos dois tiras, que se encontram baleados por Danny no chão. Assim tendo vingado sua esposa, ele volta ao seu apartamento, onde é baleado pelo ciumento namorado do seu caso amoroso na historia.

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Voltamos ao ponto inicial, com o quarto em chamas e Danny tentando reaver sua verdadeira identidade como Tom Van Allen.  A escolha é sua; quem ele realmente é? Tom Van Allen,  marido apaixonado, trompetista. Ou Danny Parker, o junkie viciado em metanfetamina e informante de tiras da “narcóticos”?

Se você busca a verdade, você veio ao lugar errado. 

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Direção D. J. Caruso
Produzido por Ken Aguado
Escrito por Tony Gayton
Estrelando Val Kilmer
Vincent D’Onofrio
Peter Sarsgaard
Distribuido por Warner Brothers
Tempo 103 min.
Lingua Inglês

Para fazer o download clique aqui.

Publicado em: on 9 22UTC 112007vUTC11bThu, 22 Nov 2007 15:21:43 +00002007, 2007 at 22:03 Deixe um comentário

Cronicamente inviável

vida inviável
cuspida, chutada
atirada num canto

vida interditada
araigada, forçada
chorada em pranto

se com uma mão me apoias
com a outra mão me jogas
sempre empurrando
(motivando)?
para onde me nego a ir
onde não pretendo ficar

me atormenta a idéia
de uma própria não ter
me corroe o pensamento
de saber,
e nada fazer

vida fútil
apagada, amassada
atirada no muro

vida banal
castrada, cansada
jogada no escuro

Por Julien.

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Publicado em: on at 22:03 Deixe um comentário

Time Out – Dave Brubeck Quartet

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Time Out foi lançado em 1959 pela Dave Brubeck Quartet, baseado na marcação do tempo(métrica músical), que na época era pouco usual no Jazz(na maioria valsa ou “double-time waltz”, mas também  9/8, 14/4, e a mais famosa 5/4).

Muito embora o álbum tenha sido concebido como um experimento(o presidente da Columbia, Goddard Lieberson estava querendo arriscar o lançamento do álbum) e tenha recebido criticas negativas no seu lançamento, ele se tornou o mais conhecido e bem vendido álbum de Jazz, atingindo a segunda colocação na Billboard, na categoria “Pop Albums”, e gerou um single – o “Take Five” de Paul Desmond – que atingiu a quinta colocação na Billboard, na categoria “Adult Contemporary”.

Em 2005, foi um dos 50 álbums escolhidos naquele ano pela “Library of Congress” para ser adicionado ao “National Recording Registry”.

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Track listing

No LP original em vinil:

Lado A
  1. “Blue Rondo à la Turk” –6:44
  2. “Strange Meadow Lark” –7:22
  3. “Take Five” –5:24
Lado B
  1. “Three to Get Ready” –5:24
  2. “Kathy’s Waltz” –4:48
  3. “Everybody’s Jumpin’ ” –4:23
  4. “Pick Up Sticks” –4:16

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Take Five é um clássico da música jazz, gravada pelo quarteto de Dave Brubeck, e ditada no álbum de 1959 Time Out. Composta por Paul Desmond, esta música caracteriza-se pela sua métrica, a cinco tempos, e pela melodia do saxofone. Embora não tivesse sido a primeira composição musical com esta métrica, foi a mais significativa, e a mais famosa, nos EUA, tornando-se um sucesso na rádio, numa época em que o Rock’n Roll estava no seu auge. É também conhecida pelo solo de bateria de Joe Morello.

Lançamento 1959
Gravado 25 de junho, 1 de julho, 18 de agosto, 1959 na Columbia’s 30th Street Studio, New York City
Gênero Cool Jazz, West Coast Jazz
Tempo Total 38:35
Gravadora Columbia Records
Produtor Teo Macero

Para baixar o álbum clique AQUI.

Publicado em: on 9 12UTC 112007vUTC11bMon, 12 Nov 2007 17:36:00 +00002007, 2007 at 22:03 Comentários (1)

Me disse o monge

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Certa vez me disse o monge
em um mar tão profundo
de vasta vida e comtemplação
também a vida se desfaz
pois quando a lucidez abandona
esta é a hora do adeus
o mundo é este mar
transbordando em sabedoria
deixando-se absorver

Me disse o monge certa vez que
mesmo a sabedoria
sendo boa como é
não deveria ser
sorvida pelo de pouca índole
pois mesmo a sabedoria
afoga
quando transmutada
em malicia
devastando-se

Ali se fecha a porta da sabedoria e
se abre a da insanidade
descendo cada vez mais fundo
deixando-se transbordar
em decadência
liqüefazendo-se

Assim me disse o monge

Por Julien.

Publicado em: on at 22:03 Comentários (1)

O velho e o Mar

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A constante luta pela sobrevivência e a relação do homem com o mar formam o alicerce desta obra que foi a última de Ernest Hemingway publicada ainda em vida, na Cuba de 1952.

Santiago é um velho pescador antes respeitado por todos os outros pescadores, mas visto agora como sinônimo de azar e fracasso. A 84 dias sem fisgar peixe algum ele decide empreender uma busca desesperada mar adentro, visando pegar o maior peixe que cruzar o seu caminho. E assim, contando com a sorte que lhe abandonara e com uma pobre provisão de água e uma ísca que lhe foi presenteada pelo seu pequeno aprendis, Manolin, que agora era obrigado pela familia a deixar o velho e a se juntar a pescadores mais afortunados, que Santiago parte na direção do golfo do México, alimentando-se de golfinhos e peixes-voadores. Enfrenta  o sol que lhe fere a visão até quase o deixar cego, e a solidão do alto mar. Falando em voz alta sobre as aventuras do passado o velho finge estar conversando com alguém.

Para sobreviver em alto mar é preciso sabedoria sobre as mudanças climáticas e as correntes marítimas, a localização dos cardumes e o comportamento dos peixes, mas também é necessário contar com a sorte. Após vários dias sem avistar um único peixe finalmente a isca atrai para sí o maior mérlin que já havia visto até então, em seus descomunais 5 metros de comprimento.  A luta dura 3 longos dias, com sol a pino lhe castigando os olhos, e a linha lhe resgando as mãos, até que apenas uma delas continua em condições de opor alguma resistência ao enorme peixe-espada, até que o velho Santiago finalmente vence o peixe. Mas na volta a Havana é constantemente perseguido por tubarões, e escapa de cada um deles e atinge o seu destino apenas para constatar que no fim de sua linha agora resta apenas a carcaça do enorme peixe.  _375154_old_man_marlin_300.jpg

Embora tenha conseguido provar aos outros sua capacidade como bom pescador, o velho tem a nítida impressão de como é a sua existencia. Luta infindável que, apesar das vitórias, garantindo-lhe a sobrevivência, relega a ele a dor, e a busca eterna por uma vida melhor.

Reminiscências do escritor
“Tudo o que nele existia era velho, com exceção dos olhos, que eram da cor do mar, alegres e indomáveis”, assim é descrito Santiago. Alguns críticos de literatura contam que o personagem Santiago foi, na realidade, Gregorio Fuentes, que fora capitão do barco de Hemingway durante os 30 anos que o escritor viveu em Cuba. Conheceram-se em 1928 e, dois anos depois, Hemingway contratou o pescador para ser cozinheiro e capitão do seu barco “Pilar”. Antes de regressar aos Estados Unidos, em 1960, o escritor teria dito ao amigo: “toma conta de ti, como sempre soubeste fazer”.

Visto como atração turística em Cuba após o lançamento do livro, Fuentes decidiu doar o barco ao governo cubano após o suicídio do escritor, em 1961. Ele está exposto em frente à casa onde Hemingway viveu, perto de Havana.

Dois anos após a publicação desse livro, que se tornou um clássico da literatura contemporânea, Hemingway recebeu o prêmio Nobel de Literatura.

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Autor: Hernest Hemingway

Editora: Bertrand Brasil

Número de páginas: 110

Publicado em: on 9 10UTC 112007vUTC11bSat, 10 Nov 2007 14:33:47 +00002007, 2007 at 22:03 Deixe um comentário

Il buono, il brutto, il cattivo (1966)

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Il Buono, il brutto, il cattivo (conhecido no Brasil como Três Homens em Conflito) é o mais conhecido Western Spaghetti e o último filme da trilogia dos dólares de Sergio Leone, que inclui Por um punhado de dólares e Por uns punhados a mais. É considerada um prequel dos outros dois, pois no final o ” Estranho sem nome” de Clint Eastwood ganha seu poncho característico. 

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É estrelado por Clint Eastwood (“Blondie” – loiro, O Bom), Lee Van Cleef (Sentenza “Olhos de Anjo”, o Mau) e Eli Wallach (Tuco Benedicto Pacifico Juan Maria Ramirez, O Feio).

Foi filmado na Espanha. Como nos outros filmes, os atores americanos falaram inglês e os italianos, italiano, problema resolvido com dublagem.

O tema de Ennio Morricone é muito conhecido, sendo usado em todo “duelo” em comédia e foi sampleado na canção “Clint Eastwood” do Gorillaz.tn2_good_bad_ugly_1.jpg

Este filme em minha opinião é a obra suprema do cinema de todos os tempos. A seqüencia final, “The ecstasy of gold”, é soberba em todos os aspectos, desde a edição, fotografia, interpretação, direção e roteiro, até a primordial trilha sonora composta pelo mestre Ennio Morricone. Compondo assim o melhor desfecho já criado para uma pelicula.

Todos os três personagems principais são carismáticos e fortes, e cada um tem seu apelo. Porém, o personagem Tuco, interpretado por Elli Wallach é impagável.  Ele te prende com o seu jeito esperto e sofrido caracteristico daqueles que apanham da vida constantemente, mas em um sentido de piedade por muitas vezes cômico.

SINOPSE

Em plena Guerra Civil Americana, um bandido, Tuco (O Feio) descobre sobre um tesouro, mas não sobre sua localização. Quem o faz é “Blondie”. Então Tuco tem de se aliar a Blondie para chegar à grana. No meio do caminho, o violento oficial “Olhos de Anjo” também descobre sobre o tesouro.

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Clique aqui para fazer o download do filme.

 Itália,  Espanha
1966 ı cor ı 161 min
Direção Sergio Leone
Elenco Clint Eastwood
Lee Van Cleef
Eli Wallach
Roteiro Agenore Incrocci
Furio Scarpelli
Luciano Vincenzoni
Sergio Leone

Género western
Idioma italiano

E aqui para fazer o download da trilha sonora.

Publicado em: on at 22:03 Comentários (2)

Jeff Buckley – Grace (1994)

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Grace é o único álbum de Jeff Buckley inteiramente produzido em estúdio. Lançado em 23 de Agosto de 1994. O álbum leva o nome da música titulo, “Grace”,  co-escrito por Jeff Buckley e Gary Lucas. Enquanto inialmente o álbum teve uma baixa tiragem, atingindo apenas a 149° colocação no topo da parada americana, ele recebeu grande aclamação por parte dos criticos. Desde a morte de Jeff em 97, parece que o álbum ganha cada vez mais fãs a cada ano, tendo atingido a marca de 2 milhões de cópias vendidas ao redor do globo. Uma versão extendida do álbum foi lançada em 2004, com o subtitulo Legacy Edition, que atingiu a 44° colocação na parada britânica. Esta edição celebra o aniversário de 10 anos do álbum Grace.

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Músicos como  Thom York do Radiohead e Matthew Bellamy do Muse listam Jeff Buckley entre suas influências, e o álbum tem sido ovacionado por artistas como Chris Cornell do Soundgarden e Audioslave, Neial Peart do Rush, Jimmy Page, Robert Plant, e Bob Dylan.

A música titulo, Grace, possui na minha opinião a introdução mais linda já feita para uma música. Além de Jeff demonstrando toda a potência de sua voz e habilidades como compositor. E além de Grace, merecem destaque músicas como Mojo Pin, Last goodbye, So real, e Eternal live.  Há ainda uma versão de Hallelujah, de Leonard Cohen. Música muito utilizada em trilhas sonoras na versão interpretada por Jeff.

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*Para baixar o álbum completo cliqueaqui“.

Publicado em: on at 22:03 Deixe um comentário