O velho e o Mar

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A constante luta pela sobrevivência e a relação do homem com o mar formam o alicerce desta obra que foi a última de Ernest Hemingway publicada ainda em vida, na Cuba de 1952.

Santiago é um velho pescador antes respeitado por todos os outros pescadores, mas visto agora como sinônimo de azar e fracasso. A 84 dias sem fisgar peixe algum ele decide empreender uma busca desesperada mar adentro, visando pegar o maior peixe que cruzar o seu caminho. E assim, contando com a sorte que lhe abandonara e com uma pobre provisão de água e uma ísca que lhe foi presenteada pelo seu pequeno aprendis, Manolin, que agora era obrigado pela familia a deixar o velho e a se juntar a pescadores mais afortunados, que Santiago parte na direção do golfo do México, alimentando-se de golfinhos e peixes-voadores. Enfrenta  o sol que lhe fere a visão até quase o deixar cego, e a solidão do alto mar. Falando em voz alta sobre as aventuras do passado o velho finge estar conversando com alguém.

Para sobreviver em alto mar é preciso sabedoria sobre as mudanças climáticas e as correntes marítimas, a localização dos cardumes e o comportamento dos peixes, mas também é necessário contar com a sorte. Após vários dias sem avistar um único peixe finalmente a isca atrai para sí o maior mérlin que já havia visto até então, em seus descomunais 5 metros de comprimento.  A luta dura 3 longos dias, com sol a pino lhe castigando os olhos, e a linha lhe resgando as mãos, até que apenas uma delas continua em condições de opor alguma resistência ao enorme peixe-espada, até que o velho Santiago finalmente vence o peixe. Mas na volta a Havana é constantemente perseguido por tubarões, e escapa de cada um deles e atinge o seu destino apenas para constatar que no fim de sua linha agora resta apenas a carcaça do enorme peixe.  _375154_old_man_marlin_300.jpg

Embora tenha conseguido provar aos outros sua capacidade como bom pescador, o velho tem a nítida impressão de como é a sua existencia. Luta infindável que, apesar das vitórias, garantindo-lhe a sobrevivência, relega a ele a dor, e a busca eterna por uma vida melhor.

Reminiscências do escritor
“Tudo o que nele existia era velho, com exceção dos olhos, que eram da cor do mar, alegres e indomáveis”, assim é descrito Santiago. Alguns críticos de literatura contam que o personagem Santiago foi, na realidade, Gregorio Fuentes, que fora capitão do barco de Hemingway durante os 30 anos que o escritor viveu em Cuba. Conheceram-se em 1928 e, dois anos depois, Hemingway contratou o pescador para ser cozinheiro e capitão do seu barco “Pilar”. Antes de regressar aos Estados Unidos, em 1960, o escritor teria dito ao amigo: “toma conta de ti, como sempre soubeste fazer”.

Visto como atração turística em Cuba após o lançamento do livro, Fuentes decidiu doar o barco ao governo cubano após o suicídio do escritor, em 1961. Ele está exposto em frente à casa onde Hemingway viveu, perto de Havana.

Dois anos após a publicação desse livro, que se tornou um clássico da literatura contemporânea, Hemingway recebeu o prêmio Nobel de Literatura.

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Autor: Hernest Hemingway

Editora: Bertrand Brasil

Número de páginas: 110

Published in: on 9 10UTC 112007000UTC11bSat, 10 Nov 2007 14:33:47 +00002007, 2007 at 22:03  Comments (1)  

Musashi

Musashi vol.1Musashi vol.1Musashi vol.1

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Musashi vol.1Este romance épico baseado diretamente na história japonesa narra um período da vida do mais famoso samurai do Japão, que viveu presumivelmente entre 1584 e 1645. O início é antológico, com Musashi recuperando os sentidos em meio a pilhas de cadáveres do lado dos vencidos na famosa batalha de Sekigahara. Perambula a seguir em meio aMusashi vol.1Musashi vol.1Musashi vol.1Musashi vol.1 um Japão em crise onde samurais condenados ao desemprego e à miséria por senhores feudais derrotados semeiam a vilania ditando a lei do mais forte. Musashi será mais um dentre estes inúmeros pequenos tiranos, derrotando impiedosamente quem encontra pela frente até que um monge armado apenas de sua malícia e alguns preceitos filosóficos zen-budistas consegue capturá-lo e pô-lo rudemente à prova. Musashi consegue fugir graças a uma jovem admiradora, para ser novamente capturado, e agora fica três anos confinado numa masmorra onde uma longa penitência toda feita de leituras e reflexões o fará ver um novo sentido para a vida assim como novos usos para sua força e habilidade descomunais. Os caminhos rumo à plenitude do ser jamais são fáceis, e em seus anos de peregrinação em busca da perfeição tanto espiritual quanto guerreira enfrentará os mais diversos adversários, tendo inclusive que sair-se várias vezes de situações desesperadoras. É numa dessas situações que, totalmente acuado, usará pela primeira vez, em meio ao calor da luta e quase inconscientemente de início, a surpreendente técnica das duas espadas, o estilo Niten ichi, que o tornaria famoso pelo resto dos tempos. Após o violento e histórico duelo de Ichioji, Musashi procura abrigo num templo do monte Hiei para recuperar-se física e mentalmente de seus ferimentos. Depois, segue seu caminho de samurai peregrino na rota do aperfeiçoamento filosófico e guerreiro, e também se envolve em duelo particular com a natureza, ao tentar dominá-la, o que não consegue apesar de todo o seu empenho.
O jovem guerreiro incorporando força e agilidade ímpares torna-se também mais humano: desenvolve profunda amizade com um habilíssimo manejador do bastão que por muito pouco não o derrota, além de procurar formar um discípulo à sua imagem na pessoa de um garoto que passa a acompanhá-lo por longo trecho de sua missão. Para não falar da bela jovem que conquistou seu coração, amor que revela o lado sensível e frágil de Musashi, e que na verdade não logra dominar e fazer frutificar.
As imagens de Edo, a futura Tóquio, em frenético desenvolvimento, cujo palpitante submundo deixa antever a metrópole que mais tarde virá a ser, constituem a incursão urbana desta obra predominantemente bucólica e com forte presença de um feudalismo em sofrida modernização.
Toda a trama, no entanto, com suas múltiplas reviravoltas, está inscrita na lógica do esperado e inevitável duelo da ilha de Funashima com Sasaki Kojiro, o outro grande espadachim da época e rival de Musashi em habilidade, tenacidade e sabedoria guerreira. Para o eventual vencedor, não será apenas necessária a melhor técnica, mas também a maior nobreza de espírito.

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Eiji Yoshikawa dividiu sua obra em sete livros: A Terra, A Água, O Fogo, O Vento, O Céu, As Duas Forças e A Harmonia Final. Destes, os cinco primeiros são uma referência ao gorin, os cinco elementos básicos de que se compõe, segundo o Budismo, toda e qualquer matéria, ou ainda os ciclos por que passa o espírito humano para alcançar a perfeição, começando pela terra impura até atingir o estágio mais alto, o céu, ou segundo a concepção budista, a paz do nada, o nirvana.
Yoshikawa compõe portanto ao longo dessa longa obra uma magistral metáfora dos duros estágios por que tem de passar um guerreiro para alcançar a perfeição técnica que lhe permite lutar com uma espada em cada mão. De garoto selvagem e sanguinário, Musashi transforma-se aos poucos em guerreiro equilibrado, um espírito evoluído capaz de entender e amar tanto a esgrima quanto as artes, tornando-se assim o maior e mais sábio dos samurais.

Autor: Eiji Yoshikawa

Editora: Estação Liberdade
Ano: 1999
Volume: 1                                       Volume: 2

Número de páginas: 921           Número de páginas: 873

Published in: on 9 09UTC 112007000UTC11bFri, 09 Nov 2007 23:15:57 +00002007, 2007 at 22:03  Comments (1)